sábado, 19 de abril de 2008

Você, a mídia e você.

Isabella Nardoni. Dou um prêmio para o leitor que me provar que não ouviu esse nome nas ultimas semanas.

Ontem, por estar adoentado, passei o dia meio que dormindo e assistindo TV. O pai e a madastra da menina foram depor às 11 da manhã, se não me engano. Uma multidão se aglomerou na frente da delegacia. O povo, ensandecido, atirava garrafas e batia no carro da polícia clamando por justiça.

Fui dormir e por conseqüência disso acabei perdendo o sono de noite. Lá pra meia noite liguei a TV novamente na rede Globo e adivinhem o que tomou a maior parte do Jornal? De novo o caso da menina assassinada. Já haviam se passado umas 12 horas desde o início do depoimento e a multidão ainda estava lá, de plantão na frente da delegacia.

Não quero que me julguem como frio, moralista ou qualquer coisa do tipo, mas só quero que me respondam: Por que esse caso teve toda essa repercussão? Sim, foi um caso chocante, mas, pra mim, só serviu como prova de que a mídia tem pleno poder sobre todos nós.

Atos de extrema crueldade são praticados diariamente debaixo dos nossos narizes. Crianças morrem de fome e velhos de maus-tratos. E nós? Não damos a mínima. O povo que esbravejava por justiça na frente da delegacia parece não ver que a justiça (nesse aspecto, sim, eu fiquei impressionado) está realmente sendo feita. Pena que quando entrar na cadeia, esse tal de Nardoni vai morrer, pois a mídia também influencia dentro dos presídios.

Então, companheiros e companheiras, não nos deixemos levar somente pelos assuntos que a mídia põe em palco. Saibamos que por traz de tudo isso existe uma realidade muito próxima de nós e que existe vida além da tela da TV (mesmo, por vezes, sendo difícil de encontrar).

Um comentário:

Paula disse...

Você está escrevendo muito bem, filhote. Temos em comum a mesma opinião sobre o caso. Pessoas morrem diariamente, das mais diferentes formas, mais ou menos chocantes que o assassinato dessa menina, e não viram notícia. "Ah, mas ela era uma criança." Criança também morre, ué. De fome, acidente, doença e, por que não?, violência. Nem por isso tomamos as dores, nem por isso deixamos de nos divertir, de nos entreter enquanto alguém vela o corpo do filho. Porque é assim que as coisas são. Morte e vida habitam a mesma casa, e se não aprender a aceitar-lhes a ocorrência, quem padece somos nós.

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